
“Gosto de pensar que quem já morreu fica num lugar quentinho, que a gente não vê, cuidando de quem ainda não morreu. E se você quiser agradar a essa pessoa, é só fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente!”
(Caio F. Abreu)
Então cuida de mim tio, to precisando.
É hoje o dia em que fico horas na frente do computador sem saber o que escrever, idéia é o que não falta. Lágrimas não me deixam digitar. É hoje o dia em que meu tio completaria 14 anos na Academia Brasileira de Letras, seria ele ainda o dono da cadeira de número 8. É hoje o dia em que se completam dois anos de sua morte.
Estou aqui tentando fazer o que ele gostava, escrevendo. A muito abandonei esse gosto, mas hoje me sinto no dever de estar aqui novamente.
Eu ainda sinto um vazio. Ainda estou sem o meu chão. Parece que me enterraram junto com meu tio. Não sei da onde vem toda essa minha admiração por ele, pouco nos vimos. Mas mesmo tendo pouco contato ele tinha um carinho por mim, como eu tinha por ele. Lembro-me bem do lançamento de sua trilogia 'A Casa D'Água', assim que cheguei segurou minha mão, e continuou a dar os autógrafos, comigo do lado, segurando minha mão.
Acredito que de uma forma ou de outra estamos ligados, um ao outro. Sempre achei que ele era sim a única pessoa no mundo que me entendia, mesmo não estando comigo dia-a-dia. Tem uma coisa que nos liga até hoje, e é o que faço agora, a escrita. É o nosso laço, é o que temos em comum, é o que gostamos.. E se hoje eu escrevo qualquer texto, é por ele. Foi ele que me disse que eu tinha que escrever tudo aquilo que me viesse à cabeça. Então eu escrevo minhas vontades, minhas alegrias e dores, escrevo meus amores, escrevo meus sentimentos. Mas na verdade eu o escrevo, a todo tempo.
Passou-se dois anos, mas eu o sinto como sempre bem perto de mim, porque esse laço ainda não se desfez. E nunca irá se desfazer. Porque eu vou sempre escrever o que me vier na cabeça, eu vou sempre escrever pra você, e eu sei que assim você estará quentinho, tio Antonio.
“Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
Sabemos, no entanto, que a memória vence o tempo. A memória é o antitempo, o remédio para as fissuras do tempo, e só na memória palpita uma possível imortalidade.”
(Antonio Olinto Marques da Rocha- ABL, Discurso de Posse, 12 de Setembro de 1997)
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